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"Espiritismo" e futebol: juntos em prol do atraso intelectual do povo brasileiro

Um famoso palestrante espiritólico - tinha que ser - daqueles bem igrejistas, escritor de mensagens piegas que em nada ajudam a evoluir o espírito, falou em seu blogue, aquele mantra doentio de que diz que "futebol tira os jovens das drogas". Não vou falar o nome dele para não dar problemas, embora desejasse que ele lesse este texto.

O futebol, do contrário que muitos pensam, é mais nocivo do que benéfico. Se fosse visto apenas como uma forma supérflua de lazer, não seria nocivo. Mas a sua exagerada importância dada coloca o futebol em um contexto que lhe é inadequado, gerando muito mais danos e quase nenhum benefício. Até porque quando foi inventado, o futebol era para ser apenas uma forma de diversão. E só isso.

Os brasileiros foram educados a dar uma exagerada importância ao futebol. Tratado como obrigação e como "identidade nacional", o futebol acaba estimulando os brasileiros a procurarem alguma justificativa para a sua exagerada importância. Como os brasileiros, avessos a análises profundas, têm o hábito de justificar as coisas por meio de suposições, muitas asneiras são ditas para defender o futebol. Uma delas é que "tira os jovens das drogas". E não tira.

Algumas coisas precisam ser ditas sobre isso. Primeiro, esse negócio de que futebol "tira os jovens das drogas" é muito relativo. O que tira é a educação, é colocar na cabeça dos jovens os malefícios do consumo de drogas. Futebol serviria apenas como uma espécie de fuga, mas mesmo assim, não é garantida a tese de que os jovens evitarão as drogas por meio do futebol. Acho que até pelo contrário, o futebol pode sim levar os jovens às drogas. Quer provas?

- O meio do futebol é o meio das celebridades. Lá rolam muitas drogas. Os jogadores, se famosos, podem conhecer as drogas por meio das celebridades. Se não famosos, podem ser aliciados por traficantes interessados em patrociná-los. Nada impede que aconteça isso.

- Futebol é uma competição. Em muitos casos para ter uma vitória garantida, muitos resolvem trapacear. E as substâncias que aumentam desempenho também são drogas, várias delas até cancerígenas e letais. Várias criam dependência. E os esportes são um meio que apresentam os jovens a esse tipo de droga.

- Outra coisa: se o futebol - supostamente - afasta os jovens das drogas, os afasta também de coisas boas. O desenvolvimento intelectual principalmente. Jogadores possuem baixíssima escolaridade (salvo raríssimas exceções), são politicamente alienados, socialmente inativos (a não ser na forma paliativa e estereotipada de caridade), tem péssimas referências culturais e desprovidos do senso do ridículo. Enfim, péssimos exemplos de desenvolvimento intelectual e educacional. Quando viram "estrelas" são apenas polidos pelas regras de etiqueta, sem largar totalmente o jeito bronco e a escassez intelectual. Quando melhorados, não passam de robôs sociais.

- E finalmente, o futebol não afasta realmente os jovens das drogas. O futebol é a própria droga. E seus danos, gerados pelo fanatismo não freado são tão graves quanto o do consumo de qualquer ópio, sobretudo no que se refere à compreensão real do mundo. Só a titulo de comparação, quanto mais burra a pessoa for, maior importância dará ao futebol, não como lazer, mas como "dever cívico".

Colocar o futebol como elemento salvador da sociedade é um gravíssimo erro que há mais de 60 anos (o fanatismo futebolístico, pelo que eu saiba, começou nos anos 50) mostrou ser completamente ineficiente no desenvolvimento da sociedade brasileira, servindo muito mais de desvio de foco que impede que resolvamos os problemas crônicos que só aumentam.

Futebol como aliado do Espiritolicismo

E só mesmo um espiritólico, desacostumado a pensar (senão não defenderia com pieguice as ideias absurdas do "Espiritismo" brasileiro) para defender o futebol desta forma.

O Espiritolicismo, forma deturpada de Espiritismo praticada no Brasil, tem usado muito o grande ópio do povo para ludibriar ainda mais e dar a FEB (Federação "Espírita", que não é espírita Brasileira) o dinheiro que a faz poderosa em nosso país. 

O Espiritolicismo e o futebol têm atuado juntos para a alienação da população brasileira porque ambas são controladas por gente mesquinha, mercenária e que se beneficia da permanência dos problemas crônicos de nosso país. Até porque sabem muito bem que se não houvessem problemas, o povo não iria procurar uma fuga (futebol) e não iria procurar ajuda (os ídolos da FEB, sobretudo a "santíssima trindade" Bezerra-Chico-Divaldo). É preciso que haja problemas e que o povo esteja emburrecido para que a população precise de algo para se iludir, recorrendo aos "ilusionistas".

O futebol sempre esteve aliado à deturpação pseudo-espírita. Chico Xavier "escolheu", num episódio muito estranho que merece uma investigação, morrer num dia de futebol porque acreditava que sua iria causar uma imensa confusão por causa de uma suposta comoção coletiva. Muita gente muito mais popular que o médium mineiro morreu em dia comum e não houve nenhuma confusão. 

Além disso, foi publicada recentemente uma carta, usando indevidamente o nome de José de Patrocínio, por meio de uma suposta psicofonia (ninguém conhece a voz dele, fica fácil enganar), anunciando a copa como o "cumprimento da profecia" do suposto "Anjo" Ismael (um "super-herói inventado pela FEB e que supostamente governa a instituição) que diz que o Brasil seria a potência mundial, líder da humanidade, no início do século XXI. A carta foi entregue a presidente Dilma que, felizmente não levou essa tolice a sério.

A nossa realidade cotidiana mostra que essa profecia é uma farsa, como muitas farsas que a turma da FEB costuma lançar. Infelizmente o Espiritolicismo se tornou a Filosofia da Mentira, que lança mão de muitas fraudes, lorotas e lendas delirantes para enganar a população  travar a evolução espiritual dos brasileiros. E nada melhor que se aliar ao supérfluo mais "necessário" do país para completar o seu serviço, enriquecendo e aumentando o poder de gente mesquinha, em nada interessada no bem estar coletivo.

Depois que esta copa se encerrar veremos se o Brasil se tornou o "farol do mundo" tão desejado por eles. Os dirigentes da FEB e da CBF, duas federações bastante corruptas e estranhamente ignoradas pelos seus súditos (que pensam que centros e jogadores agem por decisão própria) e seus ídolos deveriam organizar um mutirão para tentar resolver a enorme crise que virá.

Pois se médiuns e jogadores de futebol preferirem "lavar as mãos" e se esconderem das crises, como sempre têm feito, estarão na verdade mostrando a sua verdadeira cara, desmerecendo toda a admiração popular que suas federações, junto com patrocinadores e formadores de opinião, estão acostumados a estimular.

Eu não acredito na FEB, não acredito na CBF e muito menos nos ídolos que elas criam e mantém. E recomendo, como verdadeiro dever cívico, o total desprezo a médiuns e a jogadores de futebol. Eles não representam a sociedade brasileira.

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