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O que os "espíritas" brasileiros devem fazer para merecer respeito

Muitos "espíritas" chiquistas, que vivem deturpando as obras doutrinárias, vivem exigindo respeito. Cientes que a Constituição Federal lhes dá direito a crença, alegam que as críticas recebidas são uma forma de intolerância e portanto uma ofensa ao direito de crença. Até ai, eles estão certos e eu concordo com isso.

Mas o que os "espíritas" de Chico Xavier deveriam saber que as críticas não são direcionadas a fato deles crerem ou não. Criticamos na verdade a postura dúbia e portanto desonesta que eles adotam sem assumir. Vivem se assumindo "kardecistas" discordando o tempo todo do que Kardec escreveu. Se limitam a debater moralismo cristão para depois fingirem ser "cientistas que estudam a vida pós-morte", quando na prática, nada se vê de científico.

Há muitas décadas tentam alimentar um erro grave de falsidade doutrinária, fingindo seguir o que nunca praticam. Contradições se acumulam entre o Espiritismo de Kardec e o "Espiritismo" praticado no Brasil. O que na França surgiu como uma ciência a estudar tudo que não faz parte do que entendemos como matéria se tornou, no Brasil, uma seita igrejista de fé cega e um monte de enxertos católicos acrescidos de misticismos estranhos e bruxaria "branca".

O que falta para "espíritas" brasileiros para terem um pouco de honestidade doutrinária? Simples: assumir que o que seguem nada tem a ver com o Espiritismo original. É fazer os "espíritas" assumirem que não são espíritas.

Listo aqui algumas das principais atitudes a serem tomadas para que aqueles que acreditam ser "espíritas" sejam honestos e assumam seguir uma crença própria, criada no Brasil. Se eles fossem honestos, certamente não seriam objeto de criticas como ultimamente tem sido.

1) ASSUMIR UM NOVO NOME PARA A DOUTRINA:
Esqueçam a palavra "Espiritismo". Este termo foi patenteado por Allan Kardec e deve ser utilizado apenas pra definir a doutrina que ele codificou. Existem muitas possibilidades de nomes mais corretos para se definir o que é praticado no Brasil, que na verdade tem influência de Jean Baptiste Roustaing, que foi o verdadeiro mentor de personalidades como Bezerra de Menezes, Chico Xavier e Divaldo Franco, embora os dois últimos nunca tivessem assumido isso publicamente. Igreja da Reencarnação seria uma boa sugestão de nome.

2) ESQUECER DE UMA VEZ POR TODAS ALLAN KARDEC E SUA OBRA:
Assumam o que fazem na prática. Quem não estuda Kardec nunca pode se assumir Kardecista. Porque bater o peito dizendo "Eu sou Kardecista", seguindo Chico Xavier, aquele que mais contestou o codificador francês? Nada disso. Se nunca estudam Kardec não há como falar em Kardec. Ou estudam de maneira detalhada as obras do codificador, corrigindo todos s erros que foram inseridos na doutrina brasileira ou assumem que seguem algo diferente e esqueçam definitivamente o nome do codificador. Bajulação nunca foi, nunca é e nunca vai ser sinônimo de fidelidade doutrinária.

3) SE CHICO XAVIER É SEU MESTRE, ASSUMAM ELE COMO LÍDER:
Os "espíritas" brasileiros seguem Chico Xavier e o definem como seu mestre máximo. Apesar de bajularem com insistência Allan Kardec, veem no médium mineiro a sua verdadeira liderança e alguém a lhes dizer o que deve ser feito. Seria muito mais honesto assumir que Xavier é o verdadeiro sacerdote dessa igreja dos espíritos e utilizar do nome Chiquismo para definir o que acreditam. Não dá para cultuar simultaneamente dois senhores tão contraditórios. Ou seguem um, ou seguem outro.

4) ADMITIR QUE SEGUEM UMA IGREJA NADA CIENTÍFICA:
Esqueçam esse negócio de "fé raciocinada". É altamente desonesto falar em uma "fé raciocinada" que nunca raciocina. Está mais do que explícito que o "Espiritismo" brasileiro é totalmente irracional, pura fé cega, com direito a dogmas próprios tao delirantes quanto os dogmas de outras seitas e igrejas. Se a fé é um direito, para que este direito seja mantido, é necessário que ele seja assumido em suas características práticas. Não há problema algum em uma religião se assumir como fé cega. Mas meter a ciência e a razão no meio de um monte de dogmas sem sentido é nocivo, criando um festival de confusões, dificultando o entendimento doutrinário e "vendendo gato por lebre". Não há nada mais corrupto e desonesto que falar em razão oferecendo dogmas de fé cega, facilmente desmentidos e anulados pela pesquisa científica.

5) MORAL CRISTÃ NÃO É CIÊNCIA:
O que se observa na seita que os brasileiros chamam de "Espiritismo" não passa de um desfile de ideias do moralismo cristão bíblico, apesar de insistentemente ser confundido com "ciência" ou "fé raciocinada". Pouco ou nada se difere das outras seitas cristãs e o ideal é que os "espíritas" brasileiros assumam que o foco deles é apenas no moralismo cristão, assunto de 99% das palestras supostamente "espíritas". Também não ha nada de errado em focar o moralismo, desde que se assuma com honestidade que está se fazendo isso e que nada tem a ver com ciência e racionalidade. A fé é um direito, mas para ser garantido é necessário que se admitido em sua realidade prática. Lembrando: você pode acreditar em que quiser, desde que assuma em que você está acreditando.

6) LER MAIS AS OBRAS DOS MESTRES QUE DEFENDEM:
Boa parte da confusão causada se deve ao fato de que seus defensores não leem as obras de qualquer um dos dois lados, seja do kardecismo, seja do chiquismo posto em prática. Por não conhecer o conteúdo verdadeiro das obras, seja quais são, acham que todas falam a mesma coisa, o que faz crer em fidelidade doutrinaria. Mas se defendem tanto Chico Xavier, que tal estudar as obras dele e verificar se estão realmente de acordo com a doutrina original? E se as obras de Xavier parecem mais agradáveis e concordantes, porque não os "espíritas" brasileiros descartarem o Kardec que nunca gostaram e assumir de vez o Chiquismo que tradicionalmente seguem? Seria coerente que os brasileiros assumissem de uma vez por todas quem é o seu mestre, parando de misturar doutrinas. Seguir uma linha determinada e assumi-la é um sinal de honestidade doutrinária.

7) ASSUMIR PUBLICAMENTE O QUE É POSTO EM PRÁTICA:
O "Espiritismo" brasileiro virou uma seita que na teoria é uma, na prática é outra. Uma igreja de enxertos católicos que acredita em reencarnação (repararam na palavra "acredita"?), que não se dedica a pesquisas sérias, vive usando a ciência apenas para autenticar dogmas impossíveis de existirem na realidade, deveria assumir publicamente o que faz na prática, parando de fingir ser a "tradução fiel" do Espiritismo francês. É um direito de seus seguidores acreditarem no que quiserem, desde que admitam isso com honestidade, sem misturar ideologias opostas. 

São essas as atitudes mais básicas para a honestidade doutrinária. Há mais, mas nosso tempo e espaço é limitado. Mas se os "espíritas" brasileiros assumissem a sua verdadeira crença, passando bem longe do Kardec que na prática insistem em ignorar, seria uma boa maneira deles deixarem de ser objeto de críticas. Até porque a desonestidade doutrinaria é o verdadeiro motivo das críticas feitas aos "espíritas" brasileiros.

Kardec reprova quase tudo do que é feito no Brasil sobre o nome de "Espiritismo". É mais do que urgente, apesar do longo tempo em que o erro tenha sido disseminado, que o que é feito no Brasil passe a adotar outro nome e creditar suas verdadeiras lideranças.

Pois o que os brasileiros conhecem como "Espiritismo" nada em a ver com a doutrina de Kardec, tendo apenas o nome da doutrina e o nome do codificador como pontos em comum, contradizendo o tempo todo no resto. O que é feito no Brasil é outro tipo de filosofia e isso precisa ser admitido.

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