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Bondade, a Escrava da Fé

Achamos interessante reproduzir este texto que encontramos em um site da internet. Ele deve ser lido com atenção e ajuda a entender porque mesmo tendo a religiosidade como hegemônica, o Brasil ainda mantém velhas injustiças e continua totalmente incapaz de resolver seus problemas mais simples, preferindo medidas paliativas e alucinadas na tentativa de fazer o bem.

BONDADE, A ESCRAVA DA FÉ

(Autor: Petrônio Vieira)

Num mundo governado pelo Ódio, no qual a Fé é a primeira-ministra, a Bondade é, desta, sua escrava. Enquanto a Fé tem com colaboradora a Pós-Verdade, instituição resultante da fusão da Mentira, da Mitificação, da Persuasão e da Desculpa, fazendo com que a Lógica e o Bom Senso sejam reprimidos e façam o trabalho forçado de só atuarem para legitimar atitudes, abordagens ou pontos-de-vista retrógrados ou injustos, a Bondade é isolada no cativeiro da Religião.

O Ódio passeia pelos vários cantos do "mundo virtual", e a Fé, sustentáculo da Religião, embora reprovasse o Ódio, acaba se compactuando com ele, pois a Pós-Verdade, a mega-instituição que combina mentiras e persuasões conectadas com a mania de argumentar o ilógico e o injusto. A Fé busca então apelar a um novo colaborador, o Apelo à Emoção, conhecido pelo nome de Ad Passiones.

O Ad Passiones embeleza medidas retrógradas, injustas ou paliativas - quando tenta trazer benefícios, mas eles são muito poucos em quantidade e muito fracos em qualidade - , dando à Pós-Verdade uma reputação divina, transformando a Fé numa vedete e a Religião numa tábua de salvação. A Bondade se reduz a uma serviçal, que pouco pode fazer senão dar publicidade e prestígio à Fé, à Religião e, principalmente, à Pós-Verdade, déspota que submeteu a si a Lógica e o Bom Senso, que tiveram seus recursos de argumentação e convencimento roubados por ela.

A Pós-Verdade tem sua segurança, a Mentira Confortadora, que distorce a Realidade em troca de premiar os crédulos com a Esperança. Investe num ser disforme, a Bênção, amiga tão conhecida da Fé. A Bênção ninguém diz que aparência tem, que forma, que perfil, mas todos acham bela de todo jeito, como se quisessem ter intimidade e devoção a um desconhecido.

E a Bondade, que poderia ter sua atuação livre e ampla, fica escrava a esses entes. Vê a Lógica e o Bom Senso em suas celas, como prisioneiros da Pós-Verdade, que com sua comparsa, a Visibilidade, seleciona quem deve ou não influenciar as pessoas, pouco importando o caráter ou a qualidade de seus atos, intenções e opiniões. A Pós-Verdade criou uma animosidade da Visibilidade com a Lógica e o Bom Senso. Assim, a Visibilidade passou a colaborar para promover a futilidade e o supérfluo como se fossem coisas essenciais.

A Bondade, coitada, só faz poucas ajudas. Ela está a serviço da Fé, que prefere o Mito à Realidade, e da Religião, executora dos devaneios da Fé. A Bondade mal ajuda uns poucos necessitados, e o "benfeitor" da ocasião, o Ídolo Religioso, já festeja demais com uma projeção já conquistada com sua oratória, um habilidoso espetáculo de belas palavras, que de tão enfeitadas parecem combinar malabarismo e balé.

Quando a Bondade trabalha, o Ídolo Religioso se envaidece com os poucos resultados obtidos. Ele arranca aplausos e lágrimas de comoção da plateia, enquanto apenas meia-dúzia de pessoas carentes recebem apenas uns parcos benefícios. O Ídolo Religioso, que pela sua projeção poderia cobrar das elites do Dinheiro e do Poder, recursos para ampliar os trabalhos da Bondade, prefere elogiá-las até para receber das mesmas medalhas e condecorações.

Mas o Ídolo Religioso é um coreógrafo das palavras. Ele é um admirável servidor da Pós-Verdade. Tenta explicar sua condescendência com as elites com um discurso pretensamente conciliador, belíssimo na forma. Alega que as elites já ajudam lhe fornecendo prêmios e homenagens diversos, da mesma forma que os aristocratas ajudam se sentando para ouvir a oratória do Ídolo Religioso.

Com isso, a Bondade não pode atuar livremente. Ela serve a uma instituição da Religião. Mesmo quando entra nas redes sociais da Internet, a Bondade, embora em tese anunciada como livre e de atuação ilimitada, é tratada como se fosse a serva da Fé, como se ela, servindo a esta e à Religião, só tem sentido quando apoia a supremacia do Mito sobre a Realidade, e admite que a Lógica e o Bom Senso, reprimidos, sejam prisioneiros da Pós-Verdade, lhes dando a ela técnicas de argumentação e convencimento que só justificam ações retrógradas, injustas e restritivas.

Coitada da Bondade. Tão adorada, porém tão maltratada. Tão bajulada, mas submetida a tantos desserviços. Escrava da Fé, a Bondade está a serviço do Mito e não da Realidade. Submete-se a promover a vaidade do Ídolo Religioso, que mais comemora do que ajuda. É explorada pela Pós-Verdade, justificando suas práticas abusivas. Compartilha dos suplícios da Lógica e do Bom Senso, forçados a oferecer a fórmula de argumentação e convencimento à Pós-Verdade.

Em muitos casos, a Bondade, na sua condição de Escrava da Fé, é patrulhada pelo Ódio que, juntamente com a Pós-Verdade, atua nas redes sociais da Internet organizando um exército de internautas que cometem práticas abusivas contra quem não concordar com essa estrutura desigual que transforma a Bondade numa serviçal menor, apenas como escudo para uma série de valores obscurantistas e retrógrados em andamento. Como é difícil ser Bondade num mundo tão radicalmente injusto.

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