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Divaldo Franco deveria fazer muito mais caridade

Hoje, no Fantástico, está anunciado um artigo falando sobre a chamada Mansão do Caminho, projeto de filantropia comandado pelo médium e líder pseudo-espírita Divaldo Franco. Artigo que soa mais como propaganda do que como reportagem, certamente fazendo parte da contra-reforma da FEB em reação às tentativas insistentes de fóruns em redes sociais retomar o Espiritismo original, codificado por Kardec e livre das impurezas colocadas por Bezerra-Chico-Divaldo e seus similares.

O artigo pretende ser ao mesmo tempo uma despedida e uma consagração do médium baiano, que está prestes a se aposentar da mediunidade. Curioso que os pseudo-espíritas tem uma maneira muito estranha de anunciar a aposentadoria de seus líderes, inventando que os supostos mentores irão reencarnar (reencarnar? Ué, eles não são "superiores"?).

O programa pretende consagrar Franco como principal filantropo e tentar embutir nas cabecinhas de seus telespectadores que o trabalho feito não somente por ele, mas pelo "Espiritismo" brasileiro, tem gerado uma imensa transformação social na sociedade brasileira. Transformação que até agora eu nunca tinha visto.

Prisão do Caminho

Anunciam os trabalhadores da Mansão do Caminho (que mais parece uma Prisão do Caminho, com mutos altos e cercas elétricas - materiais e "espirituais": pseudo-espíritas acreditam em cercas elétricas imateriais. Ora, façam me rir!), que a entidade, que não faz nada além do que se espera de uma ONG comum, em mais de 60 anos de existência, ajudou cerca de 160 mil pessoas. Pouco para quem pretende mudar a sociedade brasileira, mesmo com esse "Espiritismo" igrejista que está aí.

E não esperem transformações nos projetos postos em prática pela "mansão".  É aquilo que a gente já vê em entidades filantrópicas espalhadas pelo país. Os auxiliados após anos de ajuda recebida, não passam de cidadãos comuns prontos para  mercado de trabalho e ao convívio convencional com outras pessoas - obedecendo as regras de convívio social, nem sempre justas e muito menos compreensivas.

Os defensores da Igreja Espirita certamente vão esperar que saem grandes revolucionários a levar as mensagens de evolução espiritual para a humanidade. Tolice. Até porque Divaldo certamente não vai querer ensinar as lições de Allan Kardec a seus pupilos, sabendo que as obras do mestre francês reprovam tudo de estranho que é praticado no Brasil com o nome de "Espiritismo", preferindo educar seus auxiliados de forma catequista, como gostam os católicos enrustidos que mandam na FEB.

Prestígio aumenta responsabilidade

O próprio Divaldo é um católico enrustido que finge que é "espírita", mas defendendo ideias e ídolos católicos, tendo inclusive a iniciativa de visitar o papa Francisco e assinar embaixo de um comentário claramente dogmático da igreja dos padres. Kardec deve estar se revirando no túmulo, curiosamente próximo à tumba de Jim Morrison, este sim, um cara que soube trazer belas mensagens ao mundo.

E claro, se a educação oferecida é a católica, evidente que sairão da "mansão" verdadeiros carneirinhos prontos a satisfazer as exigências do mercado de trabalho, nada contribuindo para que a sociedade melhore como um todo.

O prestígio dado as lideranças pseudo-espíritas lhes aumenta a responsabilidade de transformação social. Não adianta Divaldo fazer o mesmo tipo de caridade já feita pelos outros. Um líder de suposta evolução espiritual - como garantem os fiéis da Igreja Espírita - deveria fazer mas pela sociedade, contribuindo para uma mudança radical nos costumes e ideias, estimulando a criação de leis mais justas, a melhoria da distribuição de renda e a reeducação de políticos e empresários para que estes eliminem o sentimento de ganância e desistam da mania de ampliar o poder e o patrimônio.

Como Divaldo não contribuiu ara essa real transformação, preferindo a caridade estereotipada que consola mas não transforma, sinto dizer que não valeu. Divaldo, assim como todos os pseudo-espíritas, são mais alguns na multidão de ONGs que existem por aí. Garantem casa, comida, instrução e trabalho, mas nada que perturbe o sossego dos poderosos cada vez mais gananciosos e egoístas.

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